(Reprodução: Google)
Eu nem queria ir naquele barzinho, mas a Jú insistiu com
toda a alma de atriz dramática que ela tem e me fez lembrar-se de todas as
festinhas que eu a arrastei obrigada, também me fez re-jurar o quanto a amo e
sou sua amiga, e...
— Tá bom Jú, não precisa gastar seu potinho de drama,
guarda para mais tarde depois que as doses de tequilas te deixarem super a fim
de beijar o Gustavo, ai você pode dramatizar no banheiro da balada depois de se
arrepender.
Eu tentei converse-la de ficar em casa, fazer um brigadeiro, pipoca e assistir
"Loucas Para Casar" que se repetia pela milésima vez no canal
fechado. Mas não teve escapatória, fui lá colocar aquele vestido pretinho
básico, o salto de sempre, cabelo solto, um pouco de sombra, blush, meu batom
vermelho de guerra, agora um acessório para fazer a arrumada e estava pronta.
Pronta para causar, como diz a Jú!
O barzinho estava lotado como imaginei, e aquela musica alta, o barulho das
pessoas conversando, rindo e o tilintar dos copos sendo batidos nos brindes
estavam ligeiramente me irritando, naquele momento acreditei que realmente não
estava no clima.
Forcei alguns sorrisos, outra hora sorri de verdade, pois a galera sabia como
animar. Bebi um pouco de cerveja, tirei algumas fotos e tentei socializar, mas
percebendo que não conseguia e já voltando a ficar irritada novamente, achei
que uma bebida mais forte ajudaria. Chamei o garçom, mas ele mal olhava para o
lado em que eu estava, acenei, chamei, gritei, segurei uma placa de neon com
letras grandes piscando escrito "ME TRAZ UMA BEBIDA MAIS FORTE, POR
FAVOR!" e nada do garçom perceber. É eu realmente deveria ter usado ao
invés do pretinho básico, o vermelho "mar de sangue" que a Jú
sugeriu. Como ela disse mesmo? "Com esse preto você vai ficar
apagadinha!" e apagada estou.
O jeito foi ir direto ao balcão pedir a bebida e o barman logo me sugeriu uma
bebida leve e doce, dizendo que era bebida de mulher. Pois meu caro amigo,
naquela noite eu queria mesmo é ser homem durão, dos machos mesmo, então não me
venha com bebida doce, rosnei para ele pedindo um uÃsque e sem gelo. Enquanto a
bebida descia rasgando minha garganta e esquentando meu corpo, pude notar a
presença de um homem ao meu lado, também parado se apoiando ao balcão. Ele me
olhou como quem tem curiosidade, chamou o barman e pediu "o mesmo que o
dela" e me lançou um sorriso de canto de boca.
Então éramos dois com bebida de macho, de gole em gole,
com lentos intervalos entre um e outro, apenas parados no balcão e observando o
movimento do ambiente, quando ele resolve quebrar o silêncio que reinava entre
a gente com a pergunta mais básica da noite. Quis saber o meu nome, sorrio e
disse que se chamava Roberto, 28 anos, solteiro, sem filhos e dono de alguma
coisa lá.
Conversamos sobre coisas banais, um cara bem normal para
o meu gosto, mas depois de alguns goles, copos, doses de uÃsque ele me pareceu
bem mais interessante. Talvez a bebida tenha me deixado lenta demais, mas eu
não conseguia acompanhar as palavras saindo da sua boca e o som do ambiente
parecia bem mais baixo naquele momento.
Aproveitei a lentidão que a bebida me forneceu e comecei
a observar cada detalhe daquele homem, que apesar de saber seu nome, era um
total desconhecido para mim. Sua barba por fazer era um tanto atraente, seu
olhar profundo e o repuxado da pele envolta dos olhos enquanto ele sorrir,
coisa bem assustadora para uma mulher, mas que ficava extraordinariamente
atraente nele.
Estávamos mais próximos, não sei se foi eu ou ele quem se
aproximou, mas eu poderia até sentir o calor que seu corpo emitia ou já estava
bem bêbada a essa altura. Conversamos por algumas horas e só então me dei conta
que ninguém notou o meu sumiço, nem a Gil que naquela altura já estava bem
intima da tequila. Parei de pensar sobre meu sumiço e voltei a presta total
atenção em quem o motivou.
Eu sabia que estava mais pra lá do quê pra cá e recusei a
oferta de mais uma dose, ele quis saber se eu estava bem e eu disse que sim,
mas que não podia beber mais ou não iria responder sim novamente, ele sorriu
com um sorriso bem malicioso. Confesso, eu parecia bem tranquila, mas estava
louca por dentro, aquele homem me transmitia algum tipo de atração e eu só
queria descobrir o que era aquilo, aquele sorriso, aquele olhar e até a forma
que os lábios dele se abriam e fechavam a cada sÃlaba, me parecia um convite.
Por um momento me desliguei totalmente do ambiente em que
estava e me perdi nos meus pensamentos pra lá de pecadores, cheios de cenas
obscenas e muito desejo, que os anjos me perdoem por isso, mas não conseguia
evitar. Quando voltei minha atenção novamente para o ambiente, percebi que ele
estava parado me olhando atentamente como se eu estivesse contando algo muito
interessante. Perguntei se tinha algo de errado por ele está me olhando assim,
ele sorriu mais uma vez, disse que eu não pronunciei nenhuma palavra, mas que
meus olhos e minha expressão disseram-lhes tudo do que eu precisava, queria e
faria.
Eu já não podia raciocinar, uma mistura de desejo,
excitação e bebida, ele segurava em minha mão enquanto me guiava por entre as
mesas, estávamos indo em direção ao banheiro. Quando chegamos fiquei atordoada,
por qual motivo estávamos indo ao banheiro? Ele logo me respondeu, com o mesmo
olhar desafiador e o sorriso malicioso, olhou em volta, o corredor que dava
para a entrada do banheiro ficou vazio por um instante e foi esse instante que
aproveitamos.
Banheiro masculino, nunca tinha imaginado como um
banheiro masculino ficava em uma festa e não era cheio de homens chorando,
concertando a maquiagem, rindo de alguma bobagem com os amigos, definitivamente
o banheiro feminino era mais agitado.
Entrei na cabine, eu não queria ficar naquele local, era
um banheiro e apesar da boa aparência era um ambiente sujo, assim que pensei
isso já pude me perder nos pensamentos. Alguma coisa firme, quente, macia e
úmida passeava no meu pescoço e depois para minha boca, era sua lÃngua, nos
beijamos com um beijo firme e profundo. Não tinha mais lugar sujo, não tinha
mais homem desconhecido, não tinha nem outras pessoas entrando no banheiro, eu
estava excitada demais para pensar nisso e só queria mais.
Ele me beijava com uma intensidade e vontade
estupidamente gostosa, seus dedos já estavam colocando minha calcinha para o
lado, eu estava totalmente envolvida, dois dedos escorregaram facilmente para
dentro de mim e eu podia senti-los lá dentro em um movimento gostoso de vai e
vem. Minhas mãos deslizavam sobre seu corpo, pude sentir seu fÃsico definido
por cima da camisa, seu abdômen duro feito pedra e deslizando ainda mais sentir
o volume na sua calça, só me deixou mais curiosa e mais excitada.
Já tinha perdido a noção do tempo, eu só conseguia
acompanha o movimento dos seus dedos, das suas mãos e da sua lÃngua, meu corpo
se contorcia apenas com isso, estava ofegante, delirando e sedenta por mais. Meus
lábios estavam cerrados para não emitir nenhum barulho que causasse a
curiosidade de algum homem que entrava vez em quando no banheiro e meus olhos
estavam fechados enquanto eu me concentrava no que acontecia.
Ele se afastou abrir os olhos e ele se agachado, olhando
no fundo dos meus olhos, deu um sorriso delicioso e se perdeu entre minhas
pernas. Sua lÃngua me invadiu em cheio, firme, quente e úmida, não conseguir me
conter e soltei leves gemidos, já não podia me preocupar com mais nada, eu só
queria aproveitar o momento e ter mais, mais e mais.
Algumas pessoas entraram no banheiro, rindo, pareciam se
esbarrar nas paredes e eu estava lá me contorcendo de prazer, explodindo de
excitação. As pessoas, que nessa hora já pareciam ser um casal devido à voz
masculina e feminina, se esbarram na porta, ficaram encostados por um tempo e
depois saÃram, pela conversa encontravam-se próximo a pia.
Eu gemia baixinho entre lÃngua, leves mordidinhas, dedos
e olhares avassaladores, eu me perdia de prazer, meu corpo se arrepiava em cada
espasmo, não sabia mais o que esperar depois daquilo, mal conseguia imaginar e
quando conseguia mais excitada ficava.
Os barulhos do casal pararam, estávamos sozinhos
novamente. Olhei para ele que brincava com a lÃngua, levantei o rosto, fechei
os olhos e me concentrei no prazer, quando ouvi ao fundo um choro que me
parecia ser feminino. Mas que feminino aquele choro era conhecido. Um espasmo e
meu corpo arrepiavam-se novamente. Mas aquele choro, aquele choro eu conhecia
bem. Outro espasmo. Esse choro era da Jú e por uns segundos tudo desmoronou em
prazer. Gemi, me contorci, e fui ao ápice, toda aquela tensão de prazer retido
estava sendo liberado naquele momento e eu fiquei completamente fora de mim.
Rapidamente ele subiu e eu estava ajoelhada dessa vez,
era a minha vez de sorrir maliciosamente, abrindo o zÃper, ouvi novamente o
choro que agora já se misturava com soluços. Alguns homens entraram no
banheiro, um silêncio e agora risos ao lado do choro. Eu não fazia ideia do que
tinha e estava acontecendo, mas sabia que era a Jú, a minha amiga em um
banheiro masculino chorando e soluçando, não podia ficar ali, parada sem fazer
nada para ajudá-la.
Levantei abrir a porta da cabine e invadir o banheiro, os
dois homens se assustaram não sei se comigo ou por nós dois saindo ali de
dentro. A Jú estava agachada em prantos, seu rosto estava borrado de maquiagem
e ela parecia atordoada e assustada, eu fui ao seu encontro tentando acalmá-la,
perguntei o que estava acontecendo, o que tinham feito com ela.
Os dois homens se retiraram em silêncio quando Jú começou
a balbuciar algumas palavras sem sentido, conseguir entender "amiga",
"CÃntia", "tô arrasada", "arrependida",
"beijo", "Gustavo", não precisei de mais para entender,
apenas com as duas últimas matei a charada. Mais uma vez, a tequila fez efeito,
a Jú não tomou jeito, o Gustavo beijou direito e o drama estava feio.
Respirei fundo, pensei que era à hora de dar na cara
dela, mas naquela altura do campeonato ela nem sentiria nada, estava totalmente
anestesiada com o álcool. Lembrei do Roberto, meu Deus o Roberto! Virei-me para
a cabine e estava vazia, dei dois passos para a porta de saÃda, três homens
entraram, um completamente bêbado e dois ajudando-o a se locomover, esperei
passar e dei uma espiada no corredor, completamente vazio.
Voltei para o banheiro, a Jú sentada no canto com
maquiagem borrada e cara de Santa Puta Madalena Arrependida, olhei para o lado
e o bêbado vomitava enquanto os amigos esperavam na porta da cabine, olhei para
o outro lado e encontrei meu reflexo no espelho, a noite acabava ali. Maldita
seja a tequila, malditos sejam os Gustavo's e seus beijos.
Escrito por Priscila Lima para o meu antigo blog Solteirapolitanas.