
Não é que eu queira esquecê-lo, mas isso acabou sendo um
tanto necessário. Vê-lo na gaveta de arquivos me dói, me tira lagrimas e meio
que deixa o meu coração um tanto lá sem reação para qualquer outra ação.
Eu o procurava nos cheiros mais doce, eu o procurava na cafeína
que me tirava o sono, nos aromas de livros guardados tirados da estante somente
para folheá-los. Eu o procurava em cada esquina, na esperança de que o encontraria
em algumas delas..., mas não o encontrava.
Era como se fosse um quebra-cabeça com peças iguais,
impossíveis de serem montados ou um tipo de caça-palavras intermináveis. E cada
dia era uma luta, insistindo que talvez, em um leve talvez, algum deles
tivessem um jeito ou um milagre..., mas no fundo eu sabia que era uma espécie
de ilusão e ignorância da minha parte.
Cada dia era uma dor diferente. Era como acordar, pegar o
celular e perceber que mais um dia acordei sem o seu bom dia. Era a mesma
sensação de sonhar com o seu amor, tropeçar na realidade e acordar percebendo
que tudo não passou de um sonho inútil que só servirá daqui para frente, para
fazer lembrar de coisas vividas com você que um dia, para mim, foram
importantes. Tão infinitamente surreal!
Mas, o que eu definitivamente não entendo é como começamos
tão bem, e hoje terminamos assim, com você na gaveta de arquivos, como se não
tivesse significado nada... e é isso que me dói tanto. Você não significou
nada, afinal, você não poderia significar tudo se você já era tudo! Se no primeiro
momento você passou a ser tudo, e a fazer totalmente diferente dos outros. Mas
o que não mudou entre você e os outros, foi o término repentino, que hoje me
dói tão mais quanto os outros!
E o que adiantou a gente fazer tantos planos, se hoje, não
somos capazes de coloca-los em práticas e nem capazes de ignorar o simples fato
de que a gente até que estávamos indo bem, e agora estamos aqui... dando adeus
ou dando um tempo? É que eu simplesmente não sei responder entre controversas
da minha vontade e o meu dever. Sim! Ter que te arquivar é definitivamente o
meu dever, e junto com você, deverá ir as lembranças de tudo que um dia
vivemos!
Agora vai, eu deixarei você ir, mas peço que vá na certeza
de que precisa e deve ser feliz. Até porque, seria o que eu faria contigo! Vai,
faz de conta que eu sumi, pelo menos até você resolver voltar... e caso resolva
ficar por lá, faz de conta então que eu nunca passei pela sua vida, porque para
ser sincera: essa é realmente a minha vontade agora!
... E talvez, se passar pelo lugar em que nos conhecemos,
você possa perceber que talvez eu fiz a diferença, e possa sentir também a
diferença entre a que hoje te acompanha, para a que um dia te acompanhou!
Sinto muito, mas EU PRECISEI ARQUIVA-LO!
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