
(Foto autoral)
Bem, tudo começou quando ele resolveu vim me buscar para mais um
dia de curtição. Eu não sabia bem quem realmente ele era, embora o nosso nível
de intimidade fosse considerado de melhor amizade! Eu malmente sabia onde ele morava
com quem vivia e o que fazia. Mas ainda assim, me arriscar a conhecer o seu
lar, me parecia um tanto divertido. Amigos há meses e a única coisa que eu
sabia era que o nome dele tinha lá suas dificuldades de pronúncia. Nem eu
acertava, até uns dias desses!
Conhecer a sua casa, para mim, era um tipo de bingo! Daqueles
que ecoam com a maior sutileza, mas ainda assim, em um enorme tom de voz de
quem nunca ganhou em nenhum jogo dessa vida. E ala, de brinde a mãe dele!
Eu posso até contar que eu não sei bem o que eu senti naquele
primeiro instante quando ao descer do carro, sugerir a ele um abraço. Foi um
tipo de refugio em meu a guerra. Calmaria em meio à multidão e canto em meio ao
silêncio! Um sentindo tão louco, que eu realmente cheguei a pensar que a louca
naquele instante estaria sendo, eu!
O primeiro sinal para o nosso amor foi o ciúmes. Eu ousei a
sentir ciúmes até dos próprios amigos dele! Eu senti necessidade de um pouco
mais dele naquela noite. E ali, eu vi que o meu riso passou a ter dono com
direito há documentos e assinatura no cartório! Não bastou ser dono apenas do
meu sorriso, ele conseguiu dominar também o meu olhar. Pelo qual percorria no
seu corpo de forma lenta, gratificante e com um brilho extraordinário.
O nosso nível de intimidade passava de qualquer outra que eu
tinha! Contávamos um ao outro todas as travessuras dos nossos dias, os nossos
desejos por outro alguém e até copos de bebidas. Era definitivamente uma coisa
que, ao pensar hoje, presumo que tenha sido tudo do jeitinho de Deus. Mas eu
tinha medo de estar confundindo as coisas, eu tinha medo do meu olhar revelar
algo a ele e ele simplesmente me negar! Eu tinha medo só dos meus pensamentos
de que eu estava confundindo as coisas! Eu tinha medo dele não me aceitar como
mulher e nem tão pouco mais como amiga. E eu tive medo!
Sim, eu tive medo, mas eu não poderia desistir tão fácil assim e
deixar que o meu medo se tornasse invencível. Eu passei a fazer truques! Passei
a o fazer beber das mesmas coisas que eu, passei a dividir o mesmo copo de uísque,
trocas e mais troca de coisas desnecessárias, perna por cima da dele pedindo
carinho, olhar de desejo, pedidos para que ele ficasse do meu lado por toda
aquela noite, e seguindo os seus passos para que não o perdesse de vistas. Sim,
eu fui psicopata!
Mas o que eu não sabia era que esse sentimento não transbordava
apenas em mim! Ele também fez truques para me ganhar, e ganhou! Armou com os
amigos para que eu dormisse na casa dele, embora não tenha rolado nem se quer
um beijo... Mas eu dormir, e dormir feliz da vida! Eu não me importei no que
iria fazer no dia seguinte. Não me importei no que a minha mãe pensaria (embora
tivessem fatores que realmente teria me feito dormir lá além do truque dele).
Embora os amigos deles tenham achado que fizemos algo além de
uma madrugada inteira de conversa, tudo começou naquela madrugada! A
necessidade de tê-lo aumentava a cada segundo de palavras, a cada sorriso e a
cada deitada no seu colo! A primeira noite de muitas que estavam por vim!
Como eu não tinha chegado à conclusão se eu estava confundindo
as coisas ou não, eu não deixei de lado os meus truques e para uma pessoa que
não conseguiu dormir direito pensando no que estava sentindo, eu acordei bem
animada convocando os amigos dele para uma praia. Outro truque infalível, até
porque eu sabia que chamando os amigos, ele iria por conseqüência. E eu
calculei cada centímetro desse truque para que nada desse errado... E não deu!
Confesso que na praia eu fui um tanto mais "sensual".
Era passadinha de protetor aqui, frio na água lá e por ai dando seguimento aos
meus truques. Era revolta quando um amigo nosso, que é super indeciso na sua
sexualidade o chamava de “tudo de bom e afim”. Eu o queria só para mim, e ter
que aturar elogios de outras pessoas era totalmente inaceitável. E foi ai que
eu ganhei um apelidinho não muito comum, que nesse caso é o
"cinquentinha" (estilo de moto menos potente) só pelos simples fato
de não aguentá-lo nem na água.
O que eu não sabia, era que naquela noite tudo se revelaria! Na
noite de domingo do dia 14 de agosto tudo passou a ser esclarecido e logo na
sexta seguinte, do dia 18 começamos a namorar! Foi à sensação mais incrível já
sentida, foi como respirar aliviada apos um naufrago! E olha lá, daqui a dez
dias fazem três meses do nosso companheirismo, da nossa felicidade, dos nossos
momentos a sós, dos nossos desentendimentos, das nossas desculpas e do nosso
amor!
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